Published: December 26th 2006South America » BoliviaDecember 21st 2006
Amigos,
Finalmente consegui acessar a net e passar detalhes da viagem! Agradeco as mensagens enviadas de incentivo, torcida e preocupacao por esses cinco dias que passei ausente. Tudo esta perfeito e tem ocorrido como planejado. Ou quase tudo! Nao vou conseguir postar tudo, mas estou escrevendo e vou colocando assim que possivel.
Vamos comecar do comeco!!!
E me perdoem os acentos, novamente!
Um grande abraco e meus sinceros desejos de que o seu Ano Novo seja repleto de boas realizacoes e muito sucesso.
Bons Ventos!!!
Renato Doidera
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Quinta-feira
21/12/2006
Cinco da manha, ainda tudo escuro, chego a rodoviaria de Corumba. Peguei informacoes de onde encontrar um hotel barato para somente tomar um banho e foi me indicado o Hotel Corumba, ao lado da rodoviaria. Negociei pela metade do preco, dez reais, um banho e o cafe da manha. Nao precisava de luxo para somente tomar um banho. Que bom, porque do luxo aquele lugar passou bem longe. Fora o chuveiro, que ao ligar no quente, me pareceu ser um dos ultimos banhos da minha vida. Um liga-desliga constante que nao era nada seguro. Acabei optando pelo banho frio, afinal, estava muito calor. Tomei o cafe da manha, suco e pao com manteiga, e perguntei como chegar a fronteira com a Bolivia. Me indicaram pegar um taxi, que nao sairia por mais que R$5. Outra alternativa, seria o onibus coletivo, de nome Fronteira. Perguntei para um funcionario publico, desses que varrem as ruas, da possibilidade de ir andando. Logo me disse: "Nossa, é (achei mais um acento neste teclado!) muito longe. Sao mais de 8Km até a fronteira, além de que voce terá que andar pela rodovia". Sei lá por que, mas a vontade de ir caminhando era a mesma de pegar o Trem da Morte. E algo me dizia que eu nao me arrependeria. Nao pensei duas vezes. Fui a pé!
Perguntando de quarteirao em quarteirao, fui andando até achar as placas indicativas para a Bolívia. Passaram-se vários táxis e moto táxis perguntando-me se eu queria ir para a fronteira. A resposta era sempre a mesma: "Obrigado, irei a pé".
Intermináveis quilometros, debaixo de um forte sol. "A frente e a vante", como diz um amigo meu. Quando cheguei na rodovia, uma placa dizia 4,4Km até a fronteira. E as pessoas, que passavam de carro, olhavam espantadas. E eu firme, em passos apertados, sem parar, com os 19Kg nas costas, continuava caminhando pelo acostamento da rodovia que ligava Brasil e Bolívia. Poucos metros após ter passado pelo pedágio, já avistando a fronteira, um senhor, de bicicleta, desceu e ofereceu gentilmente para levar a minha mochila na garupa, enquanto fossemos andando. Aceitei prontamente. Seu nome: Hernandes.
Hernandes é boliviano, mora em Corumbá, casado com uma brasileira, tem dois filhos. Uma simpatia em pessoa. Dos 8Km que eu já havia andado, ainda me faltavam pelo menos mais 5Km até Puerto Quijarro. Fomos conversando e acabei ganhando um guia, num lugar que se conhecem vários golpes contra estrangeiros que entram no país. Hernandes é o tipo de pessoa popular. Todos o conhecem. A cada esquina que passávamos ele acenava a mao e cumprimentava alguém. Na fronteira, onde eu deveria carimbar o passaporte, ele conhecia a todos. Ele me disse que já até tirou brasileiro da prisao na Bolívia, com sua influencia e amizade com os guardas. Fiquei até mais tranquilo. Antes mesmo de sair do hotel em que tomei banho, haviam me alertado que eles cobrariam 30 bolivianos para liberar o visto. Era algo comum. Carimbar o meu passaporte foi rápido e simples. Nao tive nenhum problema e o Hernandes me aguardou do lado de fora. Cruzei a fronteira sem complicacoes e sem precisar desembolsar nada.
Faltando ainda uns 3Km, Hernandes me sugeriu que eu colocasse a mochila nas costas e que eu subisse na garupa. O pneu nao estava muito cheio, mas dava para ir. E lá fui eu, de carona, na garupa da bicicleta do Hernandes, pelas ruas de Puerto Soárez. Nessa hora, enquanto o vento batia no rosto e olhava para aquela cidade simples e diferente, me lembrei do meu voo e fiquei pensando em tudo que teria perdido se tivesse ido de aviao. Nao importa o que acontecesse, até ali, já havia valido a pena!
Chegando em Puerto Quijarro, de onde partem os trens para Sta Cruz, Hernandes me convidou a tomar uma bebida típica da Bolívia, o Mocotinti. Uma típica Chola, com sua "tienda", preparava na hora o refresco. O Mocotinti é uma bebida composta por um pessego seco, misturado com canela, cravo da Índia e acúcar queimado para dar uma coloracao e bebida. Foi servida bem gelada, num daqueles copos de Chopp. Nada mal para um dia muito quente e depois de uma caminhada de mais de 13Km com 19Kg nas costas. Hernandes acabou me pagando a bebida. Eu só tinha 50 bolivianos e custava apenas 1 boliviano cada uma.
Fiz o cambio na Ferroviaria de Puerto Quijarro e entrei na fila para comprar a passagem para o tao esperado Trem da Morte. Para minha decepcao, estava tudo esgotado e só teria passagens para o sábado. É, o contato do Israel estava certo. Só me restou entao a ida para Sta Cruz por onibus. Onibus este que já apelidaram de Onibus da Morte, por ser mesmo até que o Trem da Morte. Lá vou eu comprar uma passagem para Sta Cruz no tal onibus.
Hernandes, gentilmente, continuou me acompanhando e me levou até a rodoviária, que de rodoviária nao tem nada. Tá mais para depósito do que rodoviária. Na verdade, neste local saem passageiros e bagagens transportadas de onibus. Até chegar na rodoviaria, caminhamos por ruas de terras, aliás, tudo ali é praticamente de terra, em lugares muito simples e pobres.
Comprei a passagem para as 13:30h, próxima saída, por 150 Bolivianos, bem mais caro que o trem, que na segunda classe, eu pagaria 52 Bolivianos. O valor havia dobrado porque as saídas de onibus também estavam interrompidas, devido as chuvas. E para nao ter muito prejuizo, eles cobram o dobro da passagem quando voltam a operar. Em Puerto Quijarro o governo nao tem controle dos transportes rodoviários, por isso existe todo esse abuso.
Hernandes me mostrou o local e fomos almocar. Meu primeiro almoco em terra estrangeira foi num local tipicamente usado pelos bolivianos. Turistas ali nao se via. Pedi a Hernandes que escolhesse o que quisesse. Ele pediu filé de peixe, seu prato predileto. Conversamos por todo o almoco e Hernandes me contou sobre a sua vontade de fazer uma viagem dessas, como a minha, pela América do Sul, com sua esposa. Prometi a ele que voltaria a Corumbá no fim do meu mochilao e o procuraria para dar-lhe de presente meu Guia do Viajante Independente na América do Sul. Além de uma das coisas que mais quero nesse mundo é incentivar as pessoas a viajarem, Hernandes já tinha se tornado uma pessoa especial e esse guia seria um presente para nós dois. Endereco anotado, visita agendada em sua casa na minha volta e nossas despedidas de boa sorte feitas.
[e continua...]
paty
non-member comment
incrivel
oiii, espero que esteja tudo bem contigo... estou imprecionada com sues comentarios... como e bom saber que exitem pessoas como o HERNANDES, meu nao e qualquer um que carrega alguem na sua garupa ainda mais pedalando... espero do fundo do meu coraçao que vc tenha dado uma azeitoninha para ele... meu sobrinho que amo tanto mora em Corumba, fiquei feliz de saber que vc passou por lá... que coisa boa.... BOM ESTOU DAQUI TE MANDANDO ENERGIA POSITIVA E MUITO FELIZ POR VOCE, VAI NA PAZ E COM DEUS AO SEU LADO... UM GRANDE BJO PATYPAKITONA
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