carta aos amigos - parte 2 <8 a 20 de Janeiro>


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South America » Chile » Magallanes » Puerto Natales
January 20th 2008
Published: March 5th 2008
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Queridos amigos,

Escrevo do Chile, da singela cidade de Puerto Natales e, no momento, de um café bem gostoso, onde nós podemos comer deliciosas tortas de nozes e usar a internet a vontade (nao tem crase, circunflexo nem til nesse teclado, nao liguem). Bom, e já que toquei no assunto preciso dizer quem somos "nós", coisa que esqueci de fazer no último email. Viajo com Digao, velho companheiro de peripécias, o grande Xuxa e a sagaz Mayra. Em número de quatro, logo no início da viagem nos entitulamos "los volátiles", devido as frequentes mudanças de planos e opinioes, e com roteiro cambiante conforme o vento, seguimos (e vejam que os ventos sao fortes por aqui).
Viemos de Rio Gallegos e os chás e mel que pensávamos ter que deixar na fronteira com o Chile acabaram passando devido ao desanimo da galera da aduana em abrir nossos mochiloes. Em Puerto Natales, Chile, cambiamos alguns dólares por pesos chilenos e eis que tínhamos quatro moedas na carteira (dólares, pesos Ar e Ch e reais remanescentes), o que gerou uma baita confusao na contabilidade da viagem. Após muitas regras de tres, tivemos um dia cheio comprando os legumes, graos, frutas secas,
Vista das TorresVista das TorresVista das Torres

Em cima, à direita, a faixa de rocha sedimentar, mais escura
castanhas e tudo o mais para o tao esperado cicuito pelo Parque Nacional Torres del Paine. A cordillera Paine, mais recente que a cordilheira dos Andes, tem apenas 12 milhoes de anos, e o seu soerguimento levantou formacoes sedimentares escuras datadas do jurassico, com até 150 milhoes de anos. Assim, os topos de várias montanhas sao pretos em contraposiçao as bases cinzas, mais claras, dando uma peculiaridade fascinante de cores.
Levamos 9 dias percorrendo o circuito, que além de dar a volta no maciço inclui entrar em dois vales. Um desses, que foi a primeira coisa que conhecemos, dá acesso a uma vista privilegiada para as torres e para o vale do silencio. O outro, chamado vale do frances, que conhecemos no penúltimo dia de caminhada, leva a um mirante fabuloso. Rodeado por muralhas tao coloridas que pensei estar diante de míticas pinturas rupestres desenhadas pela própria natureza, foi certamente o lugar que mais me impressionou, e dali nao quis sair, só sentar observar meditar permanecer aprender serenar estar, só.
No mais, o glaciar grey é algo fenomenal, e aprendi a respeitá-lo depois de quase ter sido levantado do chao pelo seu sopro. Com esses ventos brutais, sao poucas as plantas que se sustentam, como as lengas de caules retorcidos que parecem ter sido encravadas nas encostas inclinadas como fossem dardos. E os arbustos renitentes se dispoem em bolotas semelhantes a colonias de fungos para nao serem arrancados. Quem se aproveita é o misterioso condor andino, a planar tranquilo nas alturas, olhos atentos.
Ao deixar o parque, senti que deixava paisagens épicas para trás, cenários reconditos enquanto expressos, misteriosos, mas acolhedores, gigantes afáveis, se bem tratados, se bem vistos.
A disciplina de escrever todos os dias foi inviável durante esses nove dias. Em parte porque costumo escrever a noite, a nao havia noite. Em parte porque as longas jornadas demandavam demasiada energia, e o pouco que dela restava, após armadas as barracas, quando muito dava para fazer um chimarrao e tomar contemplando os picos e lagos. Entao nao sobraram fatos, mas sensaçoes. E estas foram ótimas. E espero que, com elas, os tenha contagiado um pouquinho. E assim me procurarao para ouvir mais estórias.

beijos e abraços
Rafa



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Cangaceiro patagônCangaceiro patagôn
Cangaceiro patagôn

Mais acostumado com o frio, caminhando de camiseta


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