Cai, não cai - qual seu lado?


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November 1st 2010
Published: November 2nd 2011
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Introdução:

Pisa, capital da província de mesmo nome, já foi uma das mais importantes cidades da atual Itália. Potência comercial e marítima situada às margens do mar Tirreno, ela atingiu seu auge durante o século XI, quando a então Repubblica de Pisa obteve conquistas territoriais que se estendiam até Cartago, no norte da África. No entanto, a manutenção do domínio comercial, e mesmo da própria soberania, não era tarefa fácil na Idade Média. A derrota para a República Genovesa na Batalha de Meloria e a conseqüente destruição de seu porto marcaram o início de seu declínio, do qual a cidade nunca conseguiu se recuperar, nem mesmo com a criação, em 1343, da Università di Pisa (uma das mais antigas universidades da Itália). Como se a própria natureza quisesse contribuir para essa decadência, mudanças no curso do rio Arno e o aporte de sedimentos inviabilizaram o antigo porto pisano e afastaram a cidade do mar em cerca de 10 km. Daquela época de glórias, a principal reminiscência é a Piazza del Duomo, com sua catedral e sua mundialmente famosa torre pendente – ela mesma, a Torre de Pisa.

A Torre Inclinada, Torre pendente ou simplesmente Torre de Pisa nada mais é do
Duomo e a torreDuomo e a torreDuomo e a torre

Com o arco-íris para deixar o céu mais bonito
que o campanário, isto é, a torre de sinos da catedral. Sua construção se deu de 1173 a 1372, e logo no começo (ao subirem o segundo andar) ela já começou a inclinar. Obras recentes conseguiram (ao menos é o que se diz) conter o aumento de sua inclinação, estabilizando-a de forma segura em 3.99°. Embora ela esteja longe de ser a única torre acidentalmente inclinada do mundo, é sem dúvida a mais famosa (atualmente há prédios construídos para serem tortos, como a “Torre de Montreal”, mas aí já é outra categoria).

Pois bem, após essa introdução, voltemos ao protagonista desse blog =D

Cai, não cai – Qual o seu lado?


Pisa não estava nos planos, e confesso tinha até certo preconceito achando que era cidade “pega-turista”, que não valia o deslocamento por uma única torre. Mas, verdade que não era uma torre qualquer, e o Japa e o Fernando estavam com bastante vontade de conferir. Como boa parte das atrações de Firenze estava fechada, chovia (still no sunset for you, boy), e ainda diante da fama da torre, resolvi ceder. Logo estávamos no trem, fazendo parte do rebanho rumo a essa Meca de turistas.

A viagem é rápida, nem 1h, e custou menos de 15€ (ida e volta). Da paisagem já não posso dizer muito, pois ainda estávamos Sob a Chuva da Toscana, uma baita chuva, devo dizer. A visibilidade era baixa, o horizonte perdia-se na névoa esbranquiçada. Tivemos sorte de estar no trem nessa hora!

Assim que chegamos à Pisa Centrale, a primeira parada foi um rápido pit-stop no banheiro (eu por necessidades fisiológicas e o Fernando para tentar secar suas meias no secador). Ao sairmos, encontramos o Japa feliz da vida com um novo guarda-chuva. Sim, esqueci de comentar no post passado, mas o guarda-chuva que ele começou a desfilar por Firenze fora encontrado “abandonado” no albergue, e ele achou digno dar uma sobrevida ao objeto que, embora meio quebrado, ainda cumpria satisfatoriamente sua função. Mas esse agora – tinha uma ou outra haste quebrada, é bem verdade, mas era automático! Encontrou-o apoiado na parede, próximo a uma lixeira, logo concluiu que devia ter sido abandonado também. O Japa estava em êxtase com sua maravilha tecnológica, contando vantagem de seu talento como surrupiador (ok, colecionador) de sombrinhas. Eis que surge do banheiro uma italiana, o caminhar certeiro na direção dele. Não fiz questão de entender o que ela disse
Japa, a sombrinha capenga e o ArnoJapa, a sombrinha capenga e o ArnoJapa, a sombrinha capenga e o Arno

Na margem esquerda dá para ver parte do palácio azul. Emocionante, não?
(a expressão facial já dizia tudo) – e logo estava ele inconsolável sem seu brinquedo novo. “Alegria de pobre dura pouco”, bem disse o Fernando!

Sombrinhas à parte, voltemos ao nosso objetivo: a torre! A estação central, a que todos os turistas (nós inclusive) já ouviram falar ou são indicados a saltar, fica diametralmente oposta à Piazza Del Duomo, a cerca de meia hora de caminhada, o caminho incluindo atravessar o centro histórico. Curioso é que ninguém comenta que há outra estação, Pisa S. Rossore, situada a poucos metros da praça, mas fora das muralhas do centro antigo. Trata-se de uma maneira esperta de fazer com que as pessoas andem pela cidade e tenham a chance de conhecer algo além da famosa praça (única parte com a qual o pessoal dos ônibus de excursão tem contato).

Esse desejo de “conheçam mais” também foi demonstrado pela atendente do escritório de informações turísticas quando entrei para, como de praxe, solicitar um mapa.
- Oi, bom dia. Vocês têm algum mapa da cidade para disponibilizar?
- Sim, claro. Vocês já sabem o que querem ver?
- Humm… a torre?
- Só a torre?! Quanto tempo vocês têm?

E pôs-se a falar das demais igrejas e construções relevantes, dos museus, e até do “belíssimo Palazzo Blu”, a única construção azul da cidade! Hummm... o.O

Agradecemos sua prestatividade, mas assim que voltamos à rua logo nos orientamos no mapa para achar o caminho da torre. Não que os outros monumentos não valham a visita, mas preferimos nos concentrar no objetivo, depois caso sobrasse tempo víamos algo mais. No entanto, para não dizerem que estávamos de má vontade, ainda escolhemos um caminho mais longo, que atravessaria o centro (ao invés de contorná-lo, que seria mais curto), para ver um pouco da cidade.

Após a caminhada (com direito a sorvete no meio, obviamente!), chegamos à tão aguardada Piazza del Duomo, ou mais recentemente também chamada de Campo dei Miracoli. Logo de cara, lá estava ela – a torre. Sim, ela é de fato bem torta! Embora ela receba os grandes louros da fama, a verdade é que a praça como um todo é belíssima. Nela se encontram o Duomo (Catedral de Santa Maria Assunta) e seu enorme batistério (tão alto quanto a torre), ambos belos exemplares da arquitetura do final do período românico, e também o Camposanto Monumentale, um grande cemitério coberto. O
Foto de grupoFoto de grupoFoto de grupo

Essas argentinas surgiram bem de repente só para tirar essa foto e foram embora(!)
conjunto todo é considerado patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO.

A torre, agora que sua inclinação foi estabilizada, foi reaberta ao público, mas sua visitação continua bastante restrita – é preciso agendar horário, e há um número limitado de visitantes admitidos por dia. Como a vinda a Pisa não estava nos planos originais, não havíamos planejado nada, logo é desnecessário dizer que não subimos.

Sem problemas, afinal a parte mais divertida da visita faz-se do lado de fora, a uma certa distância. Quem nunca viu alguma foto de alguém fazendo uma célebre pose para interagir com a torre? Pois bem, imaginem a cena, inúmeras mãos ao alto em meio à multidão, cada um querendo dar a sua contribuição para evitar que a torre caia. Essa é a pose mais comum, e digamos a mais politicamente correta. Por que não empurrá-la, para que caia de uma vez? (risada maléfica) Cada um escolhe o seu lado! Essas são apenas duas entre muitas possibilidades. Como a chuva dera uma trégua (tivemos até direito a uma fresta de sol esse dia!), nos empolgamos com a brincadeira e o local virou um verdadeiro ensaio de improviso a céu aberto, algumas idéias saindo melhores
Oooops!Oooops!Oooops!

Foi sem querer querendo!
do que outras. O Fernando queria carregar a torre como se fosse uma mochila, mas essa não deu certo de maneira alguma! : Independente disso, a diversão foi garantida (para nós e sem dúvida também para quem passava por ali).

Tão disputadas quanto os espaços para fazer fotos com a torre são as barraquinhas de souvenires localizadas no outro lado da rua. O Fernando decidira tornar-se colecionador de bandeirinhas dos países que visitaria ao longo desse ano de intercâmbio, então ali era uma oportunidade perfeita para iniciar sua coleção. Logo eu e Japa vimo-nos acompanhados por um ser em sua capa azul-brilhante (especialmente agora que era noite), agitando para lá e para cá sua nova bandeirola italiana. A alegria era tanta quanto a do Japa quando acreditava ter uma nova sombrinha automática - ao menos dessa vez ninguém apareceria para frustrá-la!

No geral, Pisa é uma cidade simpática e, caso se esteja na região, já vale a visita pela Piazza del Duomo (especialmente para quem está em grupo e pode se divertir fazendo interações com a torre). A parte que vimos do centro não era nada de excepcional (mais vale ficar em Firenze), mas também não fizemos mais que passar. A cidade tem uma população universitária elevada, e dizem que é bem animada, com boas opções para sair à noite. Isso, no entanto, deixo para outros contarem. Voltamos para nossa última noite em Firenze, e cedo na manhã seguinte pegamos nosso trem rumo à etapa final dessa viagem: a Lombardia. Mas isso fica para os próximos posts. A presto!



Curiosidade breve: a torre tem 7 sinos, cada um correspondendo a uma nota musical! Cool!



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Mapa do centroMapa do centro
Mapa do centro

Não tem o "você está aqui", mas nem precisa - é só ver o ponto desgastado de tanto porem a mão
A entrada do CamposantoA entrada do Camposanto
A entrada do Camposanto

Cemitério coberto


2nd November 2011

Saudade
Luisssssssss!!! =D Que saudaaaaaaades que deu de tudo isso. Nao me canso de falar, vc escreve MUITO bem! Adoro ler, mesmo que eu morra de saudades dessa vida boa bj bj
3rd November 2011

=D
Tany, obrigado! Saudade eu tenho também dos teus blogs, ou mesmo de ouvir as tuas histórias (sempre com aquela pitada de ironia, hehe). Bjos!
3rd November 2011

Maneiro, pelo visto tenho que incluir uma passagem rapida em Pisa quando for a Roma :P Ah, outra coisa, Pisa potência comercial e marítima às margens do Mar Adriático? Acho que não, hein... O nome do mar é Tirreno ;)
3rd November 2011

Errata!
Ops, é verdade, é o Tirreno mesmo! Estava com o Adriático na cabeça por causa da Croácia :P Vou corrigir ali, valeu! Ah, como assim, viagem para Roma? Essa é novidade! Depois tu me conta. Abraços!
14th April 2012

need tips for Piza...
where did u stay? did anyone organise the local travel / tours for you? plz share ... thanks :)
15th April 2012

Hi Anu! I've stayed in Florence, at the Archi Rossi hostel (http://www.hostelarchirossi.com/), and from there I did day trips to Pisa and to the Chianti region. Going to Pisa is easy, it takes less than 1 hour by train. About the tours, I organized everything by myself, so if there is any specific information you might want to know please feel free to ask!
7th July 2012
Torre de Pisa

Pisa Italy Guide
Hi, It is nice post!Great Article, you can explore more from http://worldwide-cheap-hotels.com/city-hotel-guide-to-pisa-italy/

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