Dia 4 - 4 de Junho, Rio Preguica - Cabure

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Brazils flagPublished: August 10th 2010South America » Brazil » Maranhão » Barreirinhas » Caburé
June 4th 2010

Sete horas da manha já estava acordada e de mochila pronta. Depois do café andei algumas quadras ate encontrar a voadeira que iria descer o Rio Preguiça e me levar ate o meu próximo destino: Caburé.

De novo, tudo foi organizado pelo Itamar. E era ali mesmo que eu me despediria dele. Ali, deixava pra trás um batalhador, uma pessoa maravilhosa e de um coração gigantesco que se entrega de corpo e alma as causas do meio ambiente e da população local. Depois dele, acabei conhecendo algumas outras pessoas assim pelo caminho...que me fizeram uma vez mais, sentir orgulho de ser brasileira. Despedi-me, sinceramente agradecida por te-lo conhecido, e levei comigo contatos de seus amigos que também iriam me ajudar em minha viajem.

A idéia era descer o Rio Preguiça com a barca local, que somente tinha um horário de saída pela manha, que era bem mais barata e que iria direto a Atins. Mas, acabei pesando as opções e unindo o útil ao agradável optei pela lancha que, enquanto me levava a meu próximo destino, fazia paradas ao longo do caminho.

Claro que sei que a lancha não tinha o charme das embarcações locais, mas, infelizmente, as coisas mudaram e muitos visitantes preferem opções mais rápidas e confortáveis. E, eu, viajando sozinha, em baixa temporada, as vezes não me podia dar ao luxo de esperar pelas escalas de tais embarcações, que eram poucas e raras!

Depois de 45 minutos de viagem, chegamos a Vassouras. Um vilarejo na porta de entrada dos Pequenos Lençóis (também chega-se la desde Caburé). Claro que depois de ter visitado o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, aquilo ali não era a coisa mais impressionante do mundo (ainda mais com a forte chuva que caia). Mas e claro que a beleza estava la para ser rapidamente observada pelos visitantes passageiros.

De novo a bordo da lancha, mais meia hora e chegamos a Maracandu. Uma vila de pescadores localizada do outro lado do Rio (Preguiça) de Caburé e que tem como principal atrativo a cachaça local.... Não, brincadeira. Oficialmente, o principal atrativo e o Farol da Marinha de Maracandu, que ao topo de seus mais de 150 degraus, oferece uma vista de 360 graus espetacular de sua vila e da sua vila vizinha, Caburé.

Do Farol, e só cruzar o Rio Preguiça e chegar a Caburé. Em Caburé, acabei me hospedando na primeira opção de pousada que vi e que também me foi recomendada pelos guias locais em Barreirinha. Quando fui dar uma olhada nos quartos, mesmo eles tendo amplo espaço e uma decoração ultra básica, me pareceu que os últimos hospedes que passaram por ali já estavam a milhas de distancia, tamanha era a bagunça e sujeira do lugar. Ali naquele momento eu deveria ter desconfiado que o barato me sairia caro. Acabei me acomodando por la mesmo. Outro engano brutal dessa viajem como vocês vão a ver a seguir.

De chave na mao, fui dar uma andada ate a praia. Caburé e uma extensa e estreita faixa de areia entre o mar e o Rio Preguiça. Portanto não fiquei surpresa quando cheguei à praia e vi aquele marzão de águas turbulentas. O vento e muito forte por ali. Essa não e a minha praia.

Decidi dar mais olhada ao redor e verificar que passeios estavam sendo oferecidos. O que eu vi não agradou ao meu bolso: Jet skis e quadriciculos a preços que ate eu, que trabalho vendendo excursões mundo afora, me assustei e me recusei a pagar. E olha que era fora de temporada! Essa e a parte triste do que eu vi la pelo nosso Norte: exploração total ao visitante. Preços absurdos e serviços que deixam muitíssimo a desejar. Uma terra sem lei onde se prega o turismo predatório, de exploração, de momento.
Mas, onde há pessoas como o Itamar e seus companheiros idealistas, há esperança. Eu fiz a minha parte e não me deixai seduzir por serviços e produtos que não favorecem nem um pouco a população local e que não oferecem nenhum valor agregado.

Caminhando pela beira do rio, logo após um almoço caseiro delicioso (onde sobrou meia porção no meu prato da já meia porção que havia pedido), acabei puxando papo com um guia/pescador local o qual me ofereceu um passeio de barco, no final da tarde, ate Atins, para ver o pôr-do-sol aonde as águas do Rio Preguiça se unem ao do oceano.
Atins fica bem no extremo da mesma faixa de areia na qual esta Caburé. Dali, me garantiu o guia, eu teria uma visão privilegiada do pôr-do-sol assim como da revoada dos guarás logo após o anoitecer.

Como havia avistado um grupo de turistas estrangeiros, achei que eles iriam curtir a idéia de fazer um passeio desses por uma quantia modesta. Eles toparam e então fechei o preço para o grupo. Mas na hora do barco partir, eles acabaram dando pra trás... e sei o por que: na verdade eles, assim como eu, estávamos esperando um barco um pouco melhor, mais confortável e mais confiável do que aquela peca de madeira rústica que estava diante de nos.

Mas, ei, esse era realmente o espírito da viajem, não era? Integrar-se a natureza, se render a ela e aos seus encantos. E o coitado do guia ficou com tanta pena de mim (depois de ver o ar de descontentamento na minha cara), que acabou fazendo o passeio comigo assim mesmo, me cobrando só um pouco a mais. E quer saber? Foi o Maximo! Varias vezes ele desligou o motor do barco e ficamos ali admirando a paisagem.

Ta certo que ao invés de uma revoada de guarás, só um casalzinho desses pássaros avermelhados de cores absolutamente surreais decidiu nos dar o prazer de sua visita, mas os raios do sol estavam deslumbrantes. Na volta, mesmo já tendo anoitecido, paramos no vilarejo de Atins para perguntar se haviam cavalgadas sendo oferecidas ate os Pequenos Lençóis (outra vez recomendação do meu pai, que havia feito essa mesma rota anos atrás). Um moco local disse que ate seria possível, mas me custaria cara, porque ele mesmo ofereceria os seus próprios cavalos, só que eu teria que pagar pelo guia também. Achei aquilo tudo um pouco meio estranho, e, desconfiada, neguei a oferta.

Tudo bem que existem pessoas maravilhosas pelo mundo afora, mas eu já estava arriscando viajando sozinha por ai...já tinha escapado de um assalto...e não estava nem um pouco a fim de me enfiar pelo meio do desertao das dunas sem a mínima noção de onde estava indo... fica pra próxima. Na volta a Caburé,a chuva decidiu dar as caras. Não fazia frio, mas ela caia com forca. Como, devido a escuridão, não conseguia enxergar um palmo a minha frente, resolvi fechar os olhos e tentar apreciar a experiência. E funcionou. Aquele momento me trouxe uma paz e liberdade tão grandes que e difícil explicar.

Ensopada, cheguei ao meu quarto, tomei um banho - gelado (já que o quarto mais barato não incluía água quente e ar condicionado), e deitei na cama, ainda com as luzes acesas. Exausta após um dia repleto de surpresas mal sabia que a maior delas ainda esta por vir: olhando para cima, vi dezenas de mosquitos rodeando a lâmpada. E nesse momento, sinceramente, não sei se queria que o gerador fosse desligado ou não.
Tomara que o sol não demore a nascer amanha de manha...

Gastos:
• Lancha ate Caburé: 40,00
• Almoço: 25,00
• Pousada: 30,00
• Passeio de barco: 30,00



Whatever floats your boat
Used to travel around Brazil as a tourism student. Once studies were over headed to Europe where the passion for travelling has grown even stronger after working on cruise ships. ... full info
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