Published: May 25th 2011Oceania » New Zealand » North Island » Hawkes Bay » NapierFebruary 15th 2011
Opa opa galera , tudo bom com vocês ?? Espero que sim !! Por aqui está tudo ótimo.
Finalmente !! Depois de quase dois séculos distantes estamos de volta !! Antes de mais nada peço desculpas pela demora na atualização do blog, mas infelizmente
a soma de "trabalhos" + "viagens" + "mudanças de planos" gera problemas na luta para manter esse blog ativo. No momento eu (Greg) estou em Londres e passarei o verão na Europa, já o Gui está em Queenstown e passará o inverno na Nova Zelândia.
Bom vamos lá, quando chegamos em Napier depois do reveillon nosso objetivo era arrumar um trampo e seguir o plano de juntar uma grana para viajar de Napier até Queenstown na Ilha Sul. Eu e a Rafa começamos a trabalhar na limpeza do albergue em troca de acomodação e nos mudamos para um double room(quarto de casal). Guilherme e Maria partiram no final de janeiro para Wellington em busca de mais oportunidades de trampo e Fernando foi para New Plymouth fazer
Woofing(trabalho em fazendas orgânicas). Enquanto eu e a Rafa trabalhávamos no albergue fomos chamados para trabalhar numa fábrica de processamento de alimentos chamada
Watties, a fábrica fica em Hastings
e conseguimos o trampo pela agência
AWF (Allied Work Force) que fica
Whakatu. Durante o tempo que ficamos "sozinhos" fizemos amizade com os "sudakas" (sul-americanos) que estavam no albergue, foi muito maneiro porque nós praticamos MUITO o nosso espanhol. Eram pessoas do Chile, Uruguai e Argentina, todos com o Working Holiday Visa e mesmo objetivo. Por sorte nós também encontramos UMA mineira chamada Karla super gente boa, foi a única brasileira que conhecemos trabalhando em Napier/Hastings.
O trabalho na Watties era basicamente fazer o processamento de diversos alimentos desde o momento em que eles chegam dos caminhões até entrarem nas latas. Em dois meses e pouco nós trabalhamos nas seguintes linhas de produção: milho, beterraba, pêssego, pêra, abóbora e tomate. Foi uma experiência interessante porque apesar de o trabalho ser uma merda, era o trampo mais confiável e que garantia o mínimo de 40 horas na semana. Outro ponto importante foi que quando chegamos na Nova Zelândia vimos 3 documentários muito interessantes, o Food Inc., Earthlings e HOME. Eles falam da relação do ser humano com o planeta terra e os outros animais, e como a nossa alimentação transformou os animais em produtos devido ao grande crescimento da indústria
alimentícia. Ou seja, foi super interessante ver o que realmente acontece numa empresa que oferece os alimentos que comemos no dia a dia, como latas de milho, pêssego em caldas ou molho de tomate. Minha dica é a seguinte, se for trabalhar lá escolha o turno da tarde pois é o mais flexível para sair a noite ou ir para praia de manhã. A média de grana são 100 dólares por dia e o máximo que trabalhamos numa semana foram 64 horas.
Depois de umas 3 semanas o Fernando voltou de New Plymouth e encontrou um trampo de colheita de maça pela
PickNZ. Nós usamos o Fernando como cobaia para saber se valeria a pena largar a fábrica e partir para o "apple picking", no final das contas NÃO VALE !! O principal motivo é porque é muito instável: nem todos os orchards(plantação, pomar) estão no momento certo da colheita, em alguns ainda faltava ser feito o thinning(retirar os frutos menores para os maiores crescerem melhor) e o pruning(cortar os galhos) e pra completar se chovesse não tinha trabalho. Considerando esses "problemas" e sabendo que o trampo era constante na fábrica, ficou fácil escolher e o Fernando optou por
trabalhar com a gente. Na mesma semana nós largamos o trabalho de limpeza do albergue e fomos juntos para uma casa nova, foi o maior
TERROR da vida no começo mas depois virou a melhor "BOA" de todas !!
Nós nos mudamos para uma casa na mesma rua do albergue que conseguimos atráves do Javo (chileno super gente boa). O preço era NZD$75.00 por semana com todas as contas inclusas + internet, um sonho !! Depois da mudança ficamos sabendo que os chilenos que moravam no quarto antes da gente tinham reclamado de umas mordidas de uns bichinhos que pareciam com uns besourinhos. Na manhã após nossa primeira noite na casa, acordamos todos nos coçando, foi uma merda !! Descobrimos que estávamos lidando com os "famosos"
Bed Bugs, no Brasil chamados de percevejos de cama, os bichos mais cruéis da face da terra. Eles se escondem durante o dia e te atacam a noite enquanto você dorme, as picadas só coçam pela manhã e são insuportáveis, parece um filme de terror. Durante a semana nós dedetizamos a casa "manualmente" mas não funcionou, tivemos que chamar os dedetizadores tensos para resolver o problema e mesmo assim não funcionou. Daí dedetizamos
mais uma vez manualmente e não funcionou !!!!! No final avisamos ao landlord (cara que cuida da casa) que estávamos partindo pois não aguentávamos mais aquela situação. Por sorte tinha um casal de ingleses partindo da casa e acabamos indo pro quarto deles, que era bem maior e ainda tinha TV,
SEM bed bugs. Depois da nossa mudança ainda teve mais uma dedetização no quarto e um kiwi foi morar lá, mas aparentemente a praga já tinha desaparecido.
Se por acaso algum dia você entrar num quarto novo e pela manhã encontrar picadas em formato de linha, siga estas instruções:
1) Saia do quarto imediatamente.
2) Lave TODAS as suas roupas com água quente.
3) Coloque suas mochilas no sol.
4) Não volte pro quarto até o problema ser resolvido.
Esta é uma guerra que infelizmente você perderá !! Tome as devidas precauções para não sofrer fisicamente nem mentalmente. Após essa grande batalha tudo voltou ao normal, morávamos em 11 pessoas na casa: Eu, Rafa, Fernando, 2 chilenos, 1 escocês, 2 kiwis, 2 irlandeses e um fastasma. Foi uma maravilha !! Tínhamos visu para o mar da janela do nosso quarto e nos dávamos bem com todos
da casa, cada pessoa trabalhava numa coisa diferente e era quase impossível ver todas as pessoas juntas na sala de estar. A internet rolava tranquilamente e era proibido fazer download de qualquer coisa, apesar da casa ser um pouco velha o custo x benefício foi o melhor de toda a NZ.
Durante nosso trampo na fábrica nós conhecemos algumas pessoas do Senegal, da Costa do Marfim, da Argentina, da Europa e alguns Maoris. Os africanos também trabalhavam numa empresa chamada
Gourmet Blueberries além da Watties, era uma empresa de colheita de Blueberry (mirtilo) em Flaxmere, e supostamente pagava melhor. Então nos inscrevemos para checar se era rentável. O trabalho é MUITO fácil, os africanos zuavam dizendo que era trabalho pra mulher, e eu concordo com eles. Basicamente existem vários tipos de Blueberries e normalmente eles pagavam entre NZD$2.00 a NZD$4.00 por quilo, cada tray (bandeja) pesava entre 7 e 8 quilos e normalmente fazía-se uma tray a cada 1:30-2:00hs. No nosso melhor dia trabalhamos umas 9-10 horas e ganhamos NZD$130.00 limpos, mas a média eram uns 100 pila por dia. Quando estávamos quase decidindo trocar a Watties pelos Blueberries a season(temporada) acabou, ficamos sabendo que ela vai de janeiro
até abril/maio. Uma pena, mas valeu a experiência.
Agora pra finalizar, uma breve reflexão sobre trampo na Nova Zelândia:
A questão do trabalho na NZ é muito bem feita para o dinheiro não sair do país, o que vimos foi uma quantidade gigantesca de pessoas trabalhando com o visto de trabalho e viajando pelo país com o dinheiro levantado. Infelizmente não tivemos muita sorte até chegar em Napier, ou seja, foram quase 5 meses sem trampo até ter uma receita. Se não tivéssemos juntado um dinheirinho na Inglaterra estaríamos passando o perrengue da vida, mas tudo isso aconteceu por causa das escolhas que fizemos enquanto viajamos pela NZ. Primeiramente nós optamos por não trabalhar com Hospitality pois queríamos testar coisas diferentes (como trabalhos em fazendas), apenas em Auckland mandamos alguns currículos para restaurantes mas os empregadores queriam que trabalhássemos até o final do verão em fevereiro, e isso estava fora de cogitação. Eu e o Gui trabalhamos para o Greenpeace mas o trabalho era ruim e duramos apenas duas semanas.
Quando chegamos em Mount Maunganui começamos a trabalhar com kiwis mas tivemos o
azar do vírus PSI acabar com as plantações e deixar diversas pessoas sem emprego
na região. Novamente nós poderíamos ter tentado trabalhar com Hospitality mas decidimos mudar de ares e seguir em direção a Napier. Lá nós trabalhamos numa vinícola mas a empresa (Thorn Hill) era tão desorganizada que largamos em menos de uma semana, e finalmente conseguimos trabalho no albergue, na fábrica e na colheita de Blueberries. O Gui foi pra Wellington com a Maria e conseguiu um trabalho num bar e restaurante latino mas vai escrever um post específico sobre a vida de trabalhador em Wellington.
O que posso dizer da experiência de trabalhador da Nova Zelândia é que devido as nossas escolhas e a uma pequena pitada de azar a questão financeira não foi satisfatória. Se eu pudesse fazer tudo outra vez minhas escolhas seriam diferentes, a principal seria parar em alguma cidade e levantar uma grana até pensar em viajar pelo país. É o mais garantido para depois não procurar trabalho que nem um louco, pois se logo no começo da viagem já garantir uma grana, depois é só curtir o país viajando sem pensar em mais nada.
E por último, conhecemos diversos sudakas com pensamentos completamente diferentes das pessoas que viajam pelo país.
Todos os Argentinos e
alguns Chilenos têm na cabeça que a Nova Zelândia não tem nada de novo a oferecer, então eles estavam no país apenas para levantar uma grana e viajar pelo Sudeste Asiático. Algumas pessoas ficaram alguns meses trabalhando em Tauranga, mais alguns meses trabalhando em Napier e depois partiram pra Tailândia e pro resto da Ásia. O que nos impressionou foi que eles não conheceram
NADA da Nova Zelândia,
NADA !! E isso é a maior burrice que alguém pode fazer se chegar aqui com o Working Holiday Visa.
Posso afirmar que com certeza a Nova Zelândia foi o país mais bonito que conheci em toda a minha vida, principalmente por causa das belezas naturais e as facilidades de se viajar. Todos nós temos objetivos diferentes na vida mas por favor não percam a oportunidade de conhecer esse país maravilhoso !!
Acho que isso galera,
Greg
PS1: As fotos do post são das praias e cachoeiras que visitamos nas redondezas de Napier e da nossa visita a Wellington no aniversário da Rafa. Forróóóóóóóóó !!
PS2: No meio de março nós começamos a planejar a viagem para descer a Ilha Sul, o plano era sair de Napier
em direção a New Plymouth, descer para Wanganui e de lá parar em Wellington para ver o Gui e a Maria. De Wellington pegar o ferry para a Ilha Sul e finalmente descer até Queenstown pelo lado leste da ilha. Nós partimos de Napier no começo de abril e chegamos em Queenstown no começo de maio, no próximo post vou escrever sobre a viagem e a média de custos depois de 1 mês de viagem.
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Rafael Bellucci
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Ia bem..
Blueberry picking Alucina! me amarro nessa frutilha Alucinante as fotos fera, menos essa pederastia MIB que tu escondeu na última página do post Abração e vamos combinar o rapeize´s summit 2012 (África?)
From Blog: Vida de trabalhador em Napier !!