La Rochelle: um porto seguro em meio às tormentas

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Frances flagPublished: June 10th 2012Europe » France » Poitou-Charentes » La Rochelle
November 10th 2010

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A França parece ser cortada ao meio por uma linha imaginária que divide o país em duas realidades completamente diferentes: o sul, mais latino, com clima mais ameno e dias mais ensolarados; e o norte, mais britânico, com seus dias frios e chuvosos. Essa minha teoria podia ser confirmada, quase que diariamente, pelas previsões do tempo (sim, sou um fiel usuário do www.meteo.fr), sendo frequentes diferenças superiores a 5°C entre Bordeaux e Paris, por exemplo, com chuva por lá e um solão forte por aqui. No entanto, obviamente exceções aconteciam. E, naquele começo de novembro extremamente chuvoso, qualquer exceção era mais do que bem-vinda.

Foi assim que, após mais de dois meses da minha chegada a Bordeaux, pela primeira vez embarquei em um trem rumo ao norte. Destino: a cidade portuária de La Rochelle, capital da Charente-Maritime, departamento vizinho à Gironde. Ou, segundo a previsão do tempo, o canto mais seco das redondezas naquele dia.

Daniel:

Hoje então, quarta-feira, o Luis não tinha que ir ao estágio, então pudemos organizar melhor e torcer para não chover. Acordamos às 9h, tomamos café (café da manhã à la Luis - banana com iogurte, mel e canela, pão com presunto, e
Vista norteVista norte
Vista norte

Centro da cidade
ovomaltine) e partimos para pegar o trem das 10h34 para La Rochelle, que é uma cidade litorânea mais para o norte. O trem demora pouco mais de 2 horas e pelo menos não estava chovendo. Não estava um tempo completamente aberto, mas a chuva já tinha parado.

Luis:

Fundada no século X como vila de pescadores, La Rochelle sempre teve sua história intimamente ligada ao mar, sendo originalmente apenas um importante porto pesqueiro, depois um importante porto comercial (em especial na Idade Média, com o comércio de vinho e especiarias, e no século XVII, pelas relações com as colônias francesas na América do Norte e nas Antilhas) e, mais recentemente, também um porto recreativo (o maior da Europa na costa Atlântica, com capacidade para 3500 embarcações). Foi graças a esse último que eu tomei conhecimento da cidade, quando ela serviu de stopover (“parada”?) para a edição 2001-2002 da Volvo Ocean Race, uma regata de volta ao mundo que eu acompanho há tempo.

Ao chegar, mal pude acreditar que o tempo havia de fato aberto e, apesar de ainda haver muitas nuvens, predominava o céu azul. Só aquilo já me deixara feliz – mas calma, o passeio havia apenas começado!

Como não havíamos pesquisado as atrações da cidade, logo seguimos para o Office de Tourisme, que fica no porto, próximo à estação de trem. Devo destacar, que espetáculo de Office. Além de ter uma boa estrutura e contar com um grande acervo de material turístico à disposição, fomos atendidos por dois funcionários que, além de super solícitos, foram extremamente simpáticos. Tanto que até compramos a revista anual deles – se é que se pode dizer que pagar 0,20€ por uma revista com 70 pág., colorida, recheada de informação sobre a cidade, é de fato comprar. Diante de tanta informação nova, aproveitamos para fazer uma pausa para almoço (um lanche rápido, na verdade), e pensar no que visitaríamos à tarde.

O principal atrativo da cidade é o centro histórico, com seu antigo porto – Port Vieux – e, em especial, as duas torres medievais que guardam a entrada do mesmo: a tour Saint-Nicolas e a tour de La Chaîne. Além dessas, uma terceira torre completa o panorama: a tour de La Lanterne, que não tinha função defensiva, mas de farol, sendo o último farol medieval existente na costa atlântica. Todas as três são abertas ao público¹, mas
Duas torresDuas torres
Duas torres

De la Chaîne e St.-Nicolas
optamos por visitar apenas a St.-Nicolas, que além de ser a mais imponente era também a mais alta, e deveria proporcionar uma bela vista da região portuária.

Construída de 1345 a 1372, a torre desempenhava os papéis defensivo e residencial simultaneamente, abrigando as dependências do capitão nos níveis intermediários. As duas funções possuíam espaços de circulação independentes, de forma que o interior é um verdadeiro labirinto de salas, corredores e escadas estreitas. Do alto do caminho de ronda, a 37 m de altura (a torre toda tem 42), tem-se um visual panorâmico dos diversos bassins do vieux-port, da entrada do porto e das outras duas torres. A visita como um todo foi bem interessante, e ainda que fosse só pela vista já valeria a pena – recomendo!

Com base em duas sugestões de roteiros apresentadas na revista que adquirimos no Office, criamos o nosso próprio itinerário para percorrer a região do centro e ver os pontos que consideramos mais relevantes. Posso ser suspeito para falar, já que adoro barcos e ambientes que remetam ao mar, mas a cidade é bastante agradável para se passear, com diversas construções que chamam a atenção, como a torre com a Grosse Horloge, que se destaca entre os prédios que beiram o Vieux-Port, e o prédio da prefeitura (Hôtel de Ville), com sua fachada ricamente adornada.

Eis algumas curiosidades/comentários do passeio:

- algumas ruas no centro possuem as calçadas cobertas, assim como em Bologna (ver foto). O objetivo, aqui, dada a vocação comercial da cidade, era proporcionar um espaço para que os comerciantes pudessem expor suas mercadorias com tranquilidade, sem se preocupar com as intempéries. Faltou saber se em Bologna a finalidade era a mesma (se for, haja mercado naquela cidade!).

- diversos prédios, em especial esses sobre as calçadas, pareciam meio tortos para frente, dando a impressão de “apertar a rua”. A cidade foi erguida em terreno de manguezal, com solos instáveis, o que pode explicar isso. De qualquer forma, em Pisa só a torre era torta, então vá saber.

- a cidade se orgulha de sua “ecologia urbana” e qualidade de vida. De fato, em matéria de transportes, além do sistema de aluguel de bicicletas (presente em diversas outras cidades da França e do mundo), há também aluguel de veículos elétricos, ônibus de alta performance ambiental (segundo o padrão europeu EEV – Enhanced Environmentaly Vehicles), transporte marítimo por meio de embarcações à base de energia solar, entre outras medidas memoráveis implantadas.

- há uma praia situada bem próxima ao centro – a Plage de La Concurrence – que, provavelmente por estarmos fora de temporada, estava fechada (!). Exatamente, fechada – havia uma grade de madeira ‘bloqueando’ o acesso ao mar. Por sorte a grade ficava apenas na metade da faixa de areia, de forma que havia espaço para as crianças (encasacadas) brincarem e construírem seus castelinhos.

Após nosso tour, que deve ter durado cerca de 1h30, passamos de novo no Office para comprar bilhetes para o aquário, uma das novas atrações da zona portuária (lá em Bordeaux havia diversos anúncios disso pela cidade). Embora seja possível comprar no próprio aquário, a vantagem de comprar ali é evitar eventuais filas (principalmente durante a alta temporada) e também, se não me engano, um pequeno desconto. Bilhetes em mãos, não seguimos direto para o aquário – a tarde estava terminando, o sol já estava baixo - ocasião perfeita para algumas fotos do pôr do sol na cidade. Depois sentamos em um banco de frente ao mar para fazer um lanche e contemplar o espetáculo. Eu, pelo menos –
Eu e DanielEu e Daniel
Eu e Daniel

Bem na hora em que uma nuvem tirou o sol das torres!
o Daniel se distraiu mais com um passarinho interessado em nossas migalhas.

Daniel:

Pra falar a verdade, a cidade é muito bonitinha. É pouco maior que Antibes (80 mil habitantes) e segue o mesmo esquema... ela se desenvolveu em volta do porto, que é o centro. Algumas várias igrejas românicas, neoclássicas e góticas e o grande point, as duas torres de proteção na entrada do porto. Rodamos pela cidade toda e não choveu em nenhum momento. A temperatura estava agradável, na casa dos 12 graus.

Algo interessante a se falar de La Rochelle é que todos os museus são grátis para estudantes/menores de 26 anos. O aquário custa 10€ para estudantes e 13€ para outros mortais. E mais: La Rochelle tem um museu de frascos de perfume! Não entramos porque o lugar parecia muito pequeno e não parecia interessante, mas acho que o Luis tirou uma foto.

Luis:

A visita ao aquário – Aquarium de La Rochelle – foi mais um destaque do dia. Logo no começo da visita, entra-se numa sala com ‘escotilha’. Após um aviso, a sala parece descer, e pela ‘escotilha’ vê-se o nível da água subir, até ficarmos “completamente submersos”. No
Belas águas-vivasBelas águas-vivas
Belas águas-vivas

Bonitas só quando há um vidro entre eu e elas
que a porta se abre, saímos direto em um tubo de vidro dentro de um tanque com águas-vivas rodando ao redor. Bem bonito e impactante, eu achei. O aquário é bem novo e bem cuidado, e possui inúmeras espécies de peixes, crustáceos, moluscos e demais seres aquáticos à mostra. Não tiramos muitas fotos, pois elas dificilmente saíam boas, mas nos divertimos bastante – levamos ao menos umas 2h para ver tudo.

Ao sairmos a região do porto estava toda iluminada e havia um bom movimento, com várias pessoas passeando, ou nos cafés e restaurantes por ali. A vontade era de ficar mais, porém achamos mais prudente correr para estação para descobrir o horário do trem de volta. Tivemos sorte, pois não teríamos de esperar muito. Por outro lado, estava com fome, e não havia nada mais aberto na estação – apenas aquelas máquinas de chips. Era o jeito, fazer o que - por sorte tinha uma última moeda de 1€ no bolso. Inseri na máquina e fiquei aguardando ansioso. Eis que o negócio girou, mas não caiu. Travou! Perdi a minha moeda, e ainda fiquei na vontade! O Daniel também não tinha, e não fazia mais do que rir da minha indignação. Não é à toa que nunca gostei dessas máquinas ¬¬

Um pequeno incidente, uma história a mais para contar. Nada que tirasse o mérito do belo dia passado em La Rochelle, um porto seguro em meio às tormentas de novembro.

A la prochaine! =)


1 – Caso se pretenda visitar duas ou mais torres, compensa comprar direto o bilhete completo. Na ocasião, o acesso a qualquer uma delas custava 6€, enquanto o acesso as três custava 8€. Fora isso, de novembro a março o acesso é gratuito no 1º domingo de cada mês.

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Luis Menegassi
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Vieux-PortVieux-Port
Vieux-Port

Torre do relógio se destaca na paisagem
Pelas ruas do centroPelas ruas do centro
Pelas ruas do centro

A Tour de la Lanterne ao fundo
Pelas frestas da muralhaPelas frestas da muralha
Pelas frestas da muralha

Grosse horloge e a catedral ao fundo
Vista para o sulVista para o sul
Vista para o sul

Do alto da Tour St.-Nicolas
Vista norte 2Vista norte 2
Vista norte 2

Apenas alguns dos 3500 barcos atracados pela cidade
Visita à Tour St.-NicolasVisita à Tour St.-Nicolas
Visita à Tour St.-Nicolas

Inúmeras escadas e passagens no interior
Hôtel de VilleHôtel de Ville
Hôtel de Ville

No destaque, uma das figuras dos arcos
O GabutO Gabut
O Gabut

Nome desse complexo, que possuía diversas lojas e restaurantes






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