Dias 39 a 41 - Uma viagem no TGV francês me levou até Tours, a região onde dezenas de castelos estão concentrados. A passagem foi caríssima, mas não existem muitas opções de transporte barato na França. Ônibus não são uma possibilidade para viagens um pouco mais longas. Somente se opta entre o caro TGV e o menos caro trem convencional. Não havia trem convencional para Tours.
Ficaria hospedado na casa de uma família. Pascal foi me buscar na rodoviária. Seu inglês não era dos melhores, mas tampouco tornava a comunicação difícil. Além do casal, duas crianças de cinco e sete anos vivam na casa, mas, para quem tem uma criança brasileira em casa, era como se dois pequenos idosos habitassem o local. Mal cheguei, a mesa com queijos e vinhos já estava posta. Neste momento, comecei a amar a França. Primeiro me ofereceram rillons, uma espécie de torresmo. Depois, queijos chévre e Camembert, tudo acompanhado de vinho francês. O prato principal foi frango assado. Um pouco mais de queijo como sobremesa e mais vinho. Dormi extremamente feliz.
O principal motivo para ir a Tours é visitar os castelos que estão ao seu redor, na região conhecida como Vale do Loire. Supostamente
seria fácil visitar os castelos sem precisar pegar um ônibus especial com os cabeças brancas. No entanto, com o fim do verão, já não há tanta oferta de ônibus comuns para os castelos. Sem dinheiro para pagar um tour, visitei menos do que poderia ter visitado. No primeiro dia, peguei um ônibus até Chambois, a cidade medieval onde Leonardo da Vince viveu os últimos três anos de sua vida construindo castelos renascentistas para a realeza francesa. Mais uma noite de novas comidas, desta vez andouillette, uma lingüiça preenchida com intestino de porco. O sabor é apenas um pouco mais forte do que nossa dobradinha, ou seja, delicioso.
No dia seguinte peguei o trem rumo a Chenonceau, o castelo mais visitado do Vale do Loire. A chuva não ajudou muito, mas Chenonceau é um daqueles lugares de contos de fadas. Passei meu dia por lá. À noite, Pascal e Veronique iriam a uma reunião na escola dos filhos. Uma vizinha veio tomar conta das crianças. Ela não falava inglês. Tentamos conversar por alguns minutos e logo desistimos. Prometi preparar um jantar no último dia. O prato seria, obviamente, meu infalível espaguete à carbonara. Pascal gostou tanto que constrangeu todos à mesa
a não comerem mais, pois queria que sobrasse um pouco para o café da manhã. Uma atitude digna de Diego, devo admitir. Mesmo querendo comer mais, não há melhor elogio para quem prepara uma refeição do que ver alguém a comendo com tanta paixão. Por isso, jamais nego um prato e jamais deixo de repeti-lo. Se Paris pode não ter correspondido a todas as minhas expectativas, a culinária francesa começava a mostrar que não iria me decepcionar.